• Preparação para Concursos Públicos e Anotações de Aula: vale a pena?(Parte II)*

    23/05/2011

     

       Retomando as reflexões sobre as anotações de sala de aula, a partir da construção das etapas da aprendizagem, muitas vezes o candidato pode estar passando para a etapa 3 (output), na qual considero estar inserida a realização das anotações, sem passar pela etapa 2 (cognição). Assim, seria eficiente? Talvez sim, talvez não. Admitindo a possibilidade de que não seja tão eficiente, não teria sido mais adequado abrir mão das anotações, para efetivamente desenvolver a etapa 2 (cognição) de forma consistente?


       Avaliando esta proposta de reflexão, envolvendo a situação na qual se passa para a etapa 3 (output), realizando anotações, sem passar pela etapa 2 (cognição), venho trabalhando com uma hipótese – a exigir mais estudos e avaliações, de modo a proporcionar a devida confirmação científica. A hipótese levantada é de que pode ser aplicada à situação um conceito muito importante, estabelecido no âmbito das ciências voltadas ao estudo da aprendizagem, desenvolvido por uma psicopedagoga argentina chamada Sara Paín. Trata-se da idéia da hipoassimilção que leva à hiperacomodação.


       A referida construção parte de um outro conceito desenvolvido por Jean Piaget, um verdadeiro “Papa” dos estudos sobre o processo de aprender, segundo o qual a aprendizagem se dá por meio do que denomina de assimilação, que consiste na checagem comparativa do conhecimento novo com o já existente, seguida da acomodação, na qual compreendemos e efetivamente nos apropriamos da informação, a partir da checagem comparativa anterior. Segundo Sara Paín, pode ocorrer uma disfunção ou patologia neste processo, quando o aprendente não compreende o novo de forma adequada, passando a desenvolver uma apropriação intelectual precária, ou seja, sem o seu entendimento consistente. Trata-se do fenômeno da hipoassimilação (precária assimilação), o qual leva à hiperacomodação (acomodação valorizada). É o famoso “aprendi mas não entendi” ou “sei a informação mas não a entendo”. Considero que exatamente isto pode ocorrer se o candidato ao concurso público faz anotações, mas não compreende adequadamente a informação anotada.


       Por outro lado, outro aspecto a exigir reflexão sobre o tema das anotações de sala de aula consiste na situação na qual o candidato não executa a etapa 4 (retroalimentação), considerando o esquema antes apresentado. Ou seja, a questão é o que será feito com as anotações? Qual o sentido de promover anotações e deixar o caderno ou arquivo guardados e não voltar a estudar o que foi anotado?


       Outro aspecto relevante consiste na definição do que será anotado. Isto é, o ideal seria anotar rigorosamente tudo o que o professor diz e da forma como diz? Ou devo anotar apenas idéias centrais e colocações que traduzam o conceito, tal como geralmente ocorre com as técnicas de mapas mentais ou conceituais? E se anotar rigorosamente tudo que o professor colocar e, com isto, perder a continuidade das informações seguintes?


       Como professor, sinto a dificuldade que todos os docentes passam ao tentar conciliar o dilema entre viabilizar as condições para que o aluno promova as anotações e a necessidade de avançar no conteúdo objeto da aula.
    Portanto, é preciso tentar encontrar caminhos eficientes, que permitam a solução dos dilemas colocados.

     

       Registro que as ponderações apresentadas contam com um caráter preliminar. Continuarei com o trabalho de pesquisa teórica, prática e reflexões conceituais sobre o tema. Em breve estarei apresentando outras ponderações.


         Bons estudos e, se for adotar este caminho, boas anotações!

     

    * Texto inicialmente postado no blog do Prof. Rogerio Neiva.


     

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